domingo, 13 de fevereiro de 2011

"Existirmos a que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se ilumina
Tão pouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

QUE PAÍS É ESSE???"

sábado, 25 de dezembro de 2010

"Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?"

Ao Rio, ao ano e a ele

Chega ao final
Mais uma, de muitas, de todas
Mais que isso, tudo isso
Termina a atual
Não sei se foi a mais bela
A mais intensa e colorida
De minha parte e só minha
Foi simplesmente vivida
Cada frase, suspiro e paisagem
Não, não é isso
Não falo de nossa viagem
O palco do Rio, desfecho ideal
Apenas sela uma linha traçada
Seja lá ou aqui, é outra coisa que acaba
E agora, de volta
A caminho dessa tal realidade
Te jogo pra fora
E espero pacientemenete a nova história
De volta, te olho nos olhos
E sou eu quem diz não
Pra tua forçada pretensão
De fazer de nós a tua verdade
E esquecer que a minha é outra
Não te tiro do peito, querido
Aqui, te aceito
Só em mim, teus olhos e boca
E as lembranças mais loucas
Que a tua loucura criou
E o teu beijo nem meu
Que nem quando foi, foi meu
Tudo isso ainda vive em alguma gaveta
Estante, relógio, na minha cabeça
Mas é a tua presença
E de tuas frases e crenças
E as noites e os dias
E aquela coisa tão tensa
De que me despeço e te tiro
Num tiro, surto, na volta do Rio
E a onda me diz cada vez que o mar bate
Que da minha vida você
Já não faz mais parte

**Nunca imaginei passar a meia-noite de um Natal fumando em frente ao Terminal Santo André, com uma amiga e duas malas lotadas. Nunca imaginei fugir de casa no Natal. E nunca imaginei que Santo André seria o local de destino, não de fuga. Também nunca imaginei que guardaria esse poema por 1 mês, bateria na porta dele na véspera de Natal e entregaria. Bem, 2010 daria um livro, mas ainda faltam 6 páginas. Tomara que sejam belas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

"Agora era fatal
Que o faz de conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim"

sábado, 27 de novembro de 2010

Nekrópolis

Veio-me na cabeça a peça. Retrato vivo de sociedade morta. Inversão cruel dos chamados "valores". Encantador ver como um grupo que comete os maiores crimes de estômago conquista a platéia. E trágico pensar em como essa mesma platéia reagiria, comovida, aos mesmos fatos, se soubessem serem reais. E, a bem da verdade, não são? Quantas "Estirpes" nunca concretizadas existem por aí? Ficaria essa platéia, que tornou-se advogada da defesa, crítica de uma geração precedente outrora vitoriosa e conformista, feliz, na vida real, em sua carne viva, se uma dessas "Estirpes" de verdade matasse a velhinha? Conseguiriam ver o mesmo bem que fingem enxergar na ação quando voltam seus olhos pro palco? Os artistas, justificando-se, dizem ter apresentado um texto imparcial. Manipulação artística (o que pode ser, ao mesmo tempo, hipócrita e brilhante) ou um tapa na cara de nós, platéia? Não escrevo isso como crítica à peça, artistas, texto, tampouco à Estirpe. Critico-me. Só isso. Questiono-me eu, cômodo diante do julgamento que a arte me envolveu. Queria não só saber como reagiria. Ao invés de platéia telespectadora (e a peça nos mostra o quanto somos -tele), por que não agentes deste tão belo crime? Se os admiramos tanto... quem desenterrou algum de nossos assassinatos ao sair do teatro? Quão semelhantes somos àquelas testemunhas! Macabéias soterradas e atropeladas depõe todo dia no head phone. E quanto aos jogos... se a criança é o que há de mais humano em termos de essência, quão sádicos somos! Controlamos este sadismo ao apertar o botão. E, pensando no prazer que este sadismo nos proporciona, vem-me a cabeça nova indagação: a Estirpe protestava ou se regozijava ao desenterrar? Isso! Eis a resposta que o júri não pôde dar: nem terrorismo nem crime político! Não foi nenhum sacrifício dar àquele shopping, materialização mais próxima que aqueles jovens encontraram de nossa medíocre burguesia emergente, submersa na ilusão Brasil, eles gostaram de dar a eles, a eles que acabei de ver a poucas estações de casa, o soco no estômago de Clarice. Podia jurar que o quadro renascentista de cadáveres que sequer nasceram estava lá, onde jantei. Principalmente pela normalidade inerente à rápida capacidade de recuperação do ser humano. A Estirpe chocou, morreu e... como tudo, foi esquecida. Talvez martirizada por quem se julga consciente. Não serão Cazuza e Cássia minha Estirpe? Qual nossa dificuldade em se espelhar naquilo que deu certo? E se a Estirpe tivesse sido absolvida? Então, eu, população civil, visto-me de jurado e, com toda arrogância que a lei poderia me dar, exacerbando poder sobre quem não sou eu, decido: absolvo! Absolvo-te, Estirpe, sei que seguirão suas vidas, e a lembrança destes cadáveres talvez até lhes façam discordar de Clarice.

sábado, 18 de setembro de 2010

Leque Vernáculo

Ela sentia um vazio
Um espaço, vácuo
Vacúolo a ser preenchido
Era o espaço que ele não tinha

Sua vida girava a roda da vida
Curvava e atravessava
A curva que ele não fazia

Gritava! Um grito de difícil definição
Feliz, gritava à dor
Um grito áspero, flácido
Que ele não gritava

E seu vazio, curvo gritar
Errante caminhar torto
E tudo isso, ele sabia apenas corpo
Fazia-lhe esquecer de que foi esquecido
Desumanizado, pessoa curvada
Humano pessoa esquecia
Que era pessoa bem antes daquele grito rouco
E que não podia, jamais poderia
Por ele, já feito mudo um pouco
Em todo aquele emaranhado
Do pré-concebido leque vernáculo
De vazio, curva e grito
É, por aquele semelhante, tão semelhante
Jamais seria amado

domingo, 12 de setembro de 2010

Poemas conjuntos 2

Esse é um dos meus preferidos. Fizemos no Masp, quando achávamos que a cota daquela noite já tinha sido encerrada. Ele pegou o papel e o lápis despretenciosamente; a poesia se fez e se apresentou a ele, para que a transcrevesse. Pediu que eu completasse. Fiz apenas um parágrafo dessa. Encaixamos onde a poesia pediu que fosse encaixado. E taí, mais uma de Tony Rocha e Féfis Damásio:

Um raio atingiu dentro de mim
O estômago remoía
Tudo em mim moía
O medo, a culpa. Qual culpa?
Culpa de ter a si negado
Ou culpa de ter a si aprovado?
Culpas a si, logo este
Que sem o medo, a culpa, a dor
Não poderia viver

E então culpado
De seu próprio mal
Fabricado por si mesmo
Diz ao poder:
Desculpa

Várias desculpas, n motivos
A culpa pela anulação
Cedia lugar às desculpas de seu patrão
Mas que mal grado seria
Desfazer de quem lhe roubou o dia
Em troca de um velho pão

Não tenho culpa!
Não me culpe!
Não me ocupo!

Então e mim me descobri
E aos poucos senti
Que tudo vale por tudo
E nada não vale mais pra nada